Mostrando postagens com marcador Esquizofrenia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Esquizofrenia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Transtorno esquizoafetivo

O que é transtorno esquizoafetivo?

Segundo a dra. Andrea de Abreu, é uma doença caracterizada por uma conjunção de sintomas de esquizofrenia e transtorno bipolar do humor, isto é, ao mesmo tempo a pessoa apresenta delírios e alucinações e pode ter sintomas depressivos importantes ou agitação, humor expandido, aceleração.

Geralmente primeiro ocorrem os delírios e alucinações. Para entender melhor, é o que chamam habitualmente de “mania de perseguição”. A pessoa acha que estão querendo prejudicá-la, conspirando contra ela, às vezes escuta vozes que falam coisas ruins.

Depois de um mês, mais ou menos, a pessoa entra em um estado de desânimo, sente tristeza, fica sem apetite, não dorme bem. Este é o chamado Transtorno Esquizoafetivo tipo depressivo. No tipo bipolar, após os delírios e alucinações a pessoa entra em agitação, não dorme, fica agressiva, toma atitudes intempestivas.

No tipo bipolar, podem ocorrer também fases depressivas, mas só quando há agitação é que é feito este diagnóstico. Estas fases podem se alternar durante a evolução da doença e, por vezes, os sintomas desaparecem por algum tempo.

Quais as causas?

As causas não são totalmente determinadas. Existe uma interação entre fatores genéticos, do desenvolvimento, e ambientais. Isto é, uma pessoa com genes susceptíveis sofre problemas durante a fase de desenvolvimento cerebral intrauterino e no início da vida, o que torna este organismo mais propenso ao desenvolvimento de doenças mentais.

Dependendo do ambiente em que esta pessoa é criada e dos estresses subsequentes que venha a sofrer, a doença eclode, em geral no final da adolescência ou início da idade adulta.

Quais são os fatores de risco?

Problemas durante a gestação e parto, como falta de nutrição adequada, falta de oxigenação no parto, infecção da mãe por vírus durante a gestação (principalmente o vírus Influenza, da gripe), histórico familiar de esquizofrenia ou transtorno bipolar, uso de drogas na adolescência (principalmente de maconha) são fatores conhecidos.

Como é feito o diagnóstico?

Por vezes, a observação por um psiquiatra experiente ao longo de certo período de tempo após um primeiro episódio é necessária para confirmar o diagnóstico. Um primeiro quadro psicótico, isto é, com delírios e alucinações em um adolescente ou adulto jovem pode tanto ser desencadeado por substâncias psicoativas e regredir, como pode ser o início de uma esquizofrenia, um transtorno bipolar ou um transtorno esquizoafetivo.

Isto só fica mais claro com o tratamento adequado dos sintomas psicóticos e observação por mais ou menos um ano. Já pessoas com um histórico de vários episódios podem receber um diagnóstico correto após uma boa coleta de dados realizada por um psiquiatra com o paciente e seus familiares.

Há prevenção?

Hoje, o que pensamos em termos de prevenção para as doenças mentais é mais generalizado do que individualizado para cada quadro. Então, dar condições favoráveis para gestação e parto, cuidados adequados para as crianças se desenvolverem e prevenção do uso e abuso de drogas são medidas que visam criar indivíduos mais saudáveis.

Naqueles com histórico familiar significativo, abordagens psicossociais precoces podem ser boas formas de evitar a eclosão da doença, bem como detectá-la precocemente. Sabe-se que, quanto mais cedo o tratamento é realizado, melhor a evolução do quadro e menores os prejuízos futuros.

Há tratamento?

Sim, o tratamento envolve medicações antipsicóticas, estabilizadoras do humor e antidepressivos, bem como abordagens psicoterápicas individuais e familiares.


*O diagnóstico correto é o que há de mais importante no tratamento de uma doença, tornando possivel a minimização ou cura dos sintomas. Por isso, se você ou alguém proximo apresenta algum sintoma, não deixe de procurar o médico.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Esquizofrenia


Oiê... Hoje eu vim falar de uma doença muito triste... Acho que falta um pouco de clareza para entendermos melhor e por isso eu vim tentar explicar um pouquinho do que tenho estudado na psicologia... Espero conseguir clarear a mente dos interessados!

Tenho 2 pessoas portadoras de esquizofrenia na família e por isso pra mim é considerada uma doença muito triste, eu posso vivenciá-la de perto. Uma das pessoas é um tio, irmão do meu pai. Ele desde a adolescência apresenta "problemas", o que normalmente facilita a aceitação familiar. A outra pessoa é o meu irmão... Mas no caso dele a doença apareceu e foi diagnosticada quando ele já era adulto... Antes dela, ele trabalhava, estudava, dirigia, namorava... tinha uma vida normal... E ai, surtos psicóticos... Esquizofrenia diagnosticada!

Pra mim é muito triste esse fato, porque sei o quanto é ruim vermos alguém dito "normal" ser invalidado por uma doença e pela sociedade. Mas vamos falar sobre ela...

A esquizofrenia, segundo Wikipedia (do grego, Schizo: Divisão e phrenos: mente) é um diagnóstico crônico e severo que descreve um grupo de sintomas e sinais que estão presentes em algumas pessoas.

De acordo com alguns autores, como Kraepelin (1899) e Bleuler (1911) por exemplo, é uma doença geralmente severa, de evolução prolongada e invalidante.

Um conjunto de distúrbios caracterizam-na. Alguns são: a alteração do pensamento, do sentimento e das relações com o mundo exterior (perturbações afetivas), incoerência verbal, características autistas (isolamento é uma delas), idéias delirantes, alucinações, retardo na aprendizagem, pensamento mágico das coisas, crenças irracionais, entre outras coisas. Esses distúrbios tendem a evoluir com o passar dos anos.

Essa é a mais frequente doença mental, com uma taxa de incidência entre 2 e 4 para cada 10.000 pessoas; Acomete mais os homens do que as mulheres.

Começa, normalmente, no final da adolescência ou na idade adulta jovem (entre os 15 e 35 anos de idade). Inicia-se mais precocemente nos homens do que nas mulheres, mas pode acontecer o contrário.

O fato de não saber certas coisas nos faz criticar e taxar... pelo menos lá em casa acontece assim (ainda acontece, infelizmente!). Uma mentira, um sorriso (delírio), um cansaço infinito, uma tristeza... Tantas coisas... Achamos que isso é da personalidade da pessoa, quem acharia o contrário? É um dos maiores erros que cometemos!

- Os delírios e alucinações fazem com que o indivíduo sorria sem motivos. Em meio a uma cena de morte em um filme, sorrisos...

- As mentiras, são justificadas por uma automatização no cérebro. A exemplo disso posso citar o que acontece com meu irmão. Pergunto alguma coisa e ele diz não, se eu perguntar de novo ele diz outra coisa totalmente diferente. E na verdade a gente se irrita, por achar que tem "mania de mentir", mas nem ele mesmo percebeu o que fez.

- O cansaço diário... Isso é horrível! Qualquer coisa que se peça a uma pessoa que não faz nada, a atitude mais esperada é a realização da tarefa... se a pessoa é "normal", você ainda espera um sentimento de utilidade, né?! Não acontece isso com os portadores dessa doença... (Deixando claro que nem todos os sintomas estão presentes em todas as pessoas portadoras... Cada indivíduo é único e deve ser visto como tal!). Lá em casa, esperamos a boa vontade do meu irmão prá fazer alguma coisa, mas muitas vezes a resposta é: "Não mãe, tô cansado!". ISSO PODE SER NORMAL, se a pessoa tem diagnosticada a esquizofrenia.

- São, de modo geral, pessoas muito angustiadas e depressivas.

- Podem sofrer uma modificação afetuosa. Normalmente são pessoas mais distantes, não têm (normalmente perdem) o hábito de abraçar, beijar, fazer um carinho. No meu caso, às vezes ele diz, beija abraça, às vezes não quer conversa. Essa é uma caracteristica autistica, é como se às vezes exitisse uma barreira opaca entre o mundo exterior e o interior. Temos que saber respeitar o momento, mas não deixar de demonstrar o amor, o carinho.

- Modificação de crenças... Me lembro bem, quando no começo, quando ainda nem tínhamos o diagnóstico fechado do quadro do meu irmão, que ele de repente se sentia perseguido e desenhava uma cruz no pulso. Tinha mania de desenhar cruz e andar fazendo figa com os dedos... E a gente tentava convencê-lo de que não era nada, não tinha ninguém... Compramos um colar com crucifixo... mas de nada adiantava, umas crenças estranhas e repentinas.

- Baixa escolar. Pois eh! Meu irmão sempre foi muito inteligente, mas não era lá muito fã dos estudos. Minha mãe pagava escola caríssima para os nossos poderes aquisitivos e ele às vezes não pisava na sala de aula. Desinteresse mútuo, procrastinação... TUDO o que começa deixa pela metade... Incrível!

- Distúrbios de condulta: anorexia, sentimento de despersonalisação por exemplo. Lá em casa a gente sofreu muito com isso também. Especialmente com a anorexia. Sabe o que é a pessoa não comer NADA?! As coisas que ele mais gostava eu fazia questão de comprar e ele dizia que estava de dieta. Biscoitos, os lanches preferidos... e nada de conseguir fazê-lo comer. Ele perdeu muito peso nessa época, mas depois de um tempo, depois de muito insistirmos, tudo se normalizou e hoje ele come até demais... Rsrrsrs.

- Interpretações, ilusões e intuições são muito comuns nesses pacientes.

- Perda de coerência da fala. Acontece muito com meu irmão. Assustos inapropriados, mudanças bruscas de assunto... Aparição de neologismos.

- A dissociação intelectual, afetiva e comportamental. Pensamentos inferiores à idade, desorganização motora, desorganização, discurso alusivo e lógica inapropriada, são alguns exemplos.

-Idéias suicidas... Não gosto nem de pensar nisso, mas... Com tantos delírios, tantas alucinações, tantas mudanças bruscas na vida, pode sim acontecer. Mas o apoio da familia é essencial para o controle dos fatos.

No fundo, todos nós temos um pouco de cada uma dessas características, mas existe um limite. Passando dele, o patológico entra em cena.

As formas clínicas dessa doença são muitasssss... mas eu não vim falar sobre a Psicologia da doença, mas sobre a forma como vemos e como podemos ver e interferir, tentando ajudar as pessoas que amamos. Pessoas que não têm a menor culpa de ter sido vítima de uma coisa tão cruel: a psicose, que pode acometer qualquer um de nós... Nimguém tá livre.

Quais os tratamentos possíveis ? Na faculdade, aprendi algumas coisas a respeito...

Primeiramente o diagnóstico deve ser fechado... Depois, vai depender da familia e do médico que acompanha o caso, a decisão pelo tratamento adequado.

Existe a psicoterapia, que depende de uma equipe multidisciplinar para realizar seu trabalho e consiste em adaptar o paciente, deixar-lhe confiante e achar um significado para a vida, com o maior objetivo de prevenir a construção dos delírios. Trabalha também a família, sua adaptação, que é muito importante para o próprio paciente, visto que a familia é a base e "deve" ser bem estruturada.

Tratamento farmacológico, que são normalmente eficazes, mas nem sempre, 70% dos casos.

Enfim... existem muitas e muitas coisas que julgamos sem o mínimo de conhecimento sobre a doença. Não só essa, mas muitas outras que modificam o comportamento humano. Eu tenho milhões e milhões de histórias de família relacionadas a isso, mas que só vim me dar conta de que tudo isso faz parte da doença depois de começar a estudar a psicologia. Infelizmente a nossa ignorância nos deixa alheios e grosseiros a certos problemas que podem ser contornados de outras maneiras.

Pra falar a verdade, às vezes falta paciência, especialmente porque, como disse anteriormente, tratava-se de uma pessoa "normal"... é muito difícil ver e ouvir certas coisas e ter a sabedoria de calar, de responder carinhosamente, de passar por cima daquilo sem nos deixar abater.

Espero ter ajudado alguém, pelo menos a conhecer um pouco melhor sobre a esquisofrenia, ainda que não conheça ninguém portador dela... E que os que têm alguém assim por perto, desejos de paciência, sabedoria e muita força prá ajudar os que porventura precisarem.

Beijo grande e bom final de semana!